ANGOLA TEM MUITAS PESSOAS MAS POUCOS SERES HUMANOS

A secretária de Estado para os Direitos Humanos e Cidadania, Ana Celeste Januário, reiterou hoje, em Luanda (em cumprimento de uma ordem superior emitida pelo Titular do Poder Executivo), que a o MPLA (no Poder em Angola há 48 anos) protege a dignidade de todos os seres humanos, sendo necessário o acompanhamento das instituições, no sentido de ver respeitados os direitos e garantias dos cidadãos. Conclui-se, portanto, que os não protegidos – por exemplo os 20 milhões de pobres – não são seres humanos.

Para a auxilia de João Lourenço, por esta razão, o dito Ministério da Justiça e dos Direitos Humanos aposta no desenvolvimento de um programa educacional sobre a matéria, no âmbito do reforço dos conhecimentos da estratégia nacional… para a manutenção “sine die” de substituição do MPLA no Poder.

Durante a abertura do Fórum de Direitos Humanos, com o tema “Direitos Humanos, democracia e cultura de paz: desafios da protecção”, Ana Celeste Januário afirmou que tudo passa pela educação das pessoas, no sentido de se prevenir casos de desrespeito dos direitos humanos, ligado a falhas em aspectos de conhecimento.

Pois então, Ana Celeste Januário quer – e muito bem – educar o povo para que este, no âmbito dos direitos humanos, aprenda a morrer de doença sem ir aos hospitais e aprenda. Igualmente, a viver sem comer. Trata-se de aulas de “educação patriótica”.

“Temos de trabalhar para o reforço da capacitação dos operadores, no caso os estudantes que vão trabalhar com o Direito”, sublinhou. E quem devem ser os professores? Ana Celeste Januário não exemplifica, mas será com certeza uma cátedra dirigida (superiormente, refira-se) por um dos maiores peritos do MPLA, Eugénio César Laborinho, cuja formação começou – aliás – em plena época colonial quando, em 1972, foi professor de posto.

Por sua vez, O secretário de Estado para o Ensino Superior, Eugénio Silva, apontou alguns indícios que atropelam os Direitos Humanos, nomeadamente, a falta de acesso ao Bilhete de Identidade, a demora no atendimento a nível das instituições, bem como a ausência de cuidados médicos. É caso para perguntar o que, 48 anos depois de estar no Poder, andou a fazer o MPLA?

Assim sendo, Eugénio Silva avançou que para aqueles cidadãos que se queiram afirmar como dignos, devem respeitar os seus direitos e deveres. Muito bem. Dir-se-ia até brilhante. Os 20 milhões de pobres, assim como as mais de cinco milhões de crianças que estão fora do sistema de ensino, têm deveres perante o “guia do Povo” (o MPLA), mas quanto a direitos… bem isso é algo que está previsto para quando o MPLA comemorar 100 anos de governação. Só faltam 52 anos.

Já o reitor da Universidade Metodista de Angola, Tiago Mutombo, referiu que o Fórum serve para fortalecer os estudantes do curso de direito em matéria de Direito Humanos, uma vez que futuramente passarão a exercer funções na sociedade. Mais uma brilhante conclusão. Se passassem a exercer funções fora da sociedade também não era mau…

O evento enquadra-se nas comemorações dos 75 anos da adopção da Declaração Universal dos Direitos Humanos (DUDH), pela Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas em 10 de Dezembro do mesmo 1948.

Perante a necessidade patriótica de educar o povo, talvez fosse aconselhável instituir, com força de lei e com a lei da força, a obrigatoriedade da educação patriótica começar logo quando as nossas crianças ainda estão na barriga da mãe.

Por alguma razão a Organização Nacional de Pioneiro Agostinho Neto almeja apostar na educação patriótica, cívica e moral das crianças angolanas, sendo estas o futuro do país. Na Coreia do Norte o sistema é o mesmo e funciona. Portanto…

Em tempos, curiosamente no Huambo, a então secretária nacional para a organização de quadros da OPA, Maria Luísa, disse que a continuidade do processo de desenvolvimento de Angola passa, necessariamente, por uma boa educação das crianças em todas as vertentes.

E educação tem de ser “patriótica”? Pelos vistos, sim. Não basta ser educação. Maria Luísa realçou ainda que a família desempenha um papel preponderante na educação patriótica, moral e cívica dos menores, para melhor se integrarem na sociedade. Apelou também às crianças para se dedicarem à formação académica, com vista a participarem, no futuro, activamente no processo de desenvolvimento do país.

Oficialmente o objectivo desta massiva campanha de patriotismo tem como objectivo elevar o espírito patriótico dos menores, bem como dar a conhecer os benefícios da independência. Tal e qual como nos tempos da militância marxista-leninista do pós-independência (11 de Novembro de 1975), o regime do MPLA continua a tentar reeducar o povo tendo em vista e militância política e patriótica… no MPLA.

De facto, tanto a militância política como a patriótica são sinónimos de MPLA. E a educação patriótica começa ainda dentro da barriga da mãe. Ou até antes, se for possível.

Num Estado de Direito, que Angola diz – pelo menos diz – querer um dia ser, não faz sentido a existência de organismos, entidades ou acções que apenas visam a lavagem ao cérebro e a dependência perante quem está no poder desde 1975, o MPLA. Dependência essa que, como todas as outras, apenas tem como objectivo o amor cego e canino ao MPLA, como se este partido fosse ainda o único, como se MPLA e pátria fossem sinónimos.

Por norma, os trabalhos de lavagem cerebral dos putos e dos jovens incide sempre sobre os “princípios fundamentais e bases ideológica do MPLA”, os “discurso do Presidente”, os “princípios fundamentais de organização e funcionamento da MPLA” e “o papel da juventude na conquista da independência Nacional e na preservação das vitórias do povo angolano”.

Nem no regime de António de Oliveira Salazar, em Portugal, se fazia um tão canino culto do regime e do presidente como o faz o MPLA, só faltando (e já esteve mais longe) dizer que existe Deus no Céu e o MPLA na terra.

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